29/06/2018 13h24

Em reunião, professores denunciam selvageria de mantenedoras


O clima de indignação era unânime entre os presentes no auditório do SinproSP na noite de quinta-feira, 28. Professores do grupo Laureate (Anhembi-Morumbi, FMU, Fiam e Faam), da Faculdade das Américas (FAM) e na Belas Artes foram convocados pelo Sindicato para discutirem ações diante das demissões ocorridas no final do semestre nestas instituições. A reunião também contou com a presença de alunos.

Em junho, a Anhembi Morumbi demitiu quase 100 professores, a FAM cortou 70 - o que corresponde à metade do corpo docente. Na FMU, foram despedidos 66. Os cortes são ainda mais preocupantes se os considerarmos como continuidade de um processo de demissão em grande escala iniciada em 2017 e que deve se repetir no final do ano.

Professores denunciaram que a Anhembi pretende demitir em dezembro pra iniciar o ano de 2019 sem nenhum professor mais antigo, cujo salário é maior.

Concentração

Para Celso Napolitano, diretor do SinproSP e presidente da Fepesp, que coordenava a reunião, afirmou que o ensino superior está cada vez mais concentrado nas mãos de grandes grupos econômicos e fundos de investimentos, que têm como único interesse o lucro. Ele comentou que as empresas de educação estão demitindo para contratar menos profissionais e a um custo muito menor. “Como num cartel, as mantenedoras estão definindo entre si faixas salariais muito baixas como parâmetro para as novas contratações”. Tudo isso facilitado pela reforma trabalhista: “a nova legislação permitiu a criação de planos de carreira sem nenhuma regulamentação ou controle carreira, estimulando a contratação de professores por salários cada vez menores”, concluiu.

Napolitano informou que o movimento sindical de professores e trabalhadores não docentes tem atuado contra mercantilização do ensino. Citou o livro “O negócio da Educação – a aventura das universidades privadas na terra do capitalismo sem risco”, uma coletânea de artigos organizada pelo professor Gilberto Maringoni que analisa a expansão do ensino superior privado sob diferentes perspectivas. Publicado pela Fepesp e Editora Olho D’Água, o livro foi lançado em abril de 2017 em versão impressa e ganhou uma versão digital em agosto, com acesso liberado (acesse aqui)

Ele também referiu-se ao estudo do professor de finanças da FGV/SP, Oscar Malvessi, também encomendado pela Fepesp, que desde 2015 analisa o balanço financeiro dos quatro grupos de capital aberto - Kroton-Anhanguera, Anima, Estácio e Ser.

Denúncias

Muitos professores denunciaram a crescente precarização das condições de trabalho. Segundo uma professora, além da hora-aula de 50 minutos pelo qual são remunerados, os professores precisam trabalhar outros 10 minutos em atividades extras de correção, aplicação de exercícios, planejamento para compensar a diferença entre a hora-aula e a hora relógio (60’).

Outra professora denunciou o uso indevido de materiais autorais produzidos sem nenhum tipo de remuneração adicional. Segundo ela, os docentes foram obrigados a desenvolver planos de ensino e que agora as instituições vendem aos alunos como cadernos acadêmicos de estudo.

Ações

Como medida imediata, o SinproSP foi autorizado a negociar a reintegração dos professores demitidos ou buscar um plano de garantias, benefícios e compensações financeiras pela demissão.

Conscientes que a crise no ensino superior não é apenas um problema pontual ou reservado a uma ou outra instituição, os professores também discutiram ações que foram além de resolver os problemas imediatos dos que foram demitidos.

Para um dos presentes, é preciso entender o imbróglio nos quais estão inseridos. “Quem mantém essas universidades são conglomerados estrangeiros que só pensam 24 horas por dia, 7 dias na semana. Há um empobrecimento na educação. A única saída que eu vejo é expor quem são esses tubarões do ensino superior”.

Uma outra professora sugeriu ações em conjunto com alunos e a sociedade em geral. “A ideia é fazer barulho e para que o movimento tenha projeção , inclusive na imprensa”, concluiu.

Assim, foram aprovadas ações políticas que denunciam a atuação dos grupos financeiros mercantilistas da educação que estão cartelizando o mercado de trabalho.

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Foi discutida ainda a importância de inserir na luta os professores que ainda não foram demitidos uma vez que também eles, cedo ou tarde, serão afetados pela política agressiva das empresas de educação.

Da mesma forma, serão propostas ações articuladas com entidades representativas do movimento estudantil, como UNE, UEE, DCEs e grêmios.

Audiência na Assembleia Legislativa de São Paulo

Será realizada na próxima terça-feira, dia 03/07, na Assembleia Legislativa, audiência pública marcada pelo deputado Carlos Giannazi (Psol) denunciar a ação deletéria desses grupos mercantis e elaborar dossiê com as irregularidades praticadas, que será enviado ao MEC, Ministério Público, CNE e CAPES. O evento está marcado para as 19h no Plenário José Bonifácio.

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