03/08/2018 14h41

Pesquisadores correm o risco de ter bolsas cortadas


A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) denunciou, em carta assinada pelo presidente da entidade, Abílio Baeta Neves e publicada na última quinta-feira, mais uma ação nefasta do governo Temer – a redução de verbas que pode interromper por completo o pagamento de bolsas de estudos para pesquisadores do país.

“Foi repassado à CAPES um teto limitando seu orçamento para 2019, que representa um corte significativo em relação ao próprio orçamento de 2018, fixando um patamar muito inferior ao estabelecido pela Lei de Diretrizes Orçamentárias. Caso seja mantido esse patamar, os impactos serão graves para os programas de fomento da Agência”, alerta o documento.

As consequências seriam dramáticas, já no curto prazo: caso o orçamento indicado não seja mesmo revisto, todos os 93 mil alunos de pós-graduação, em diferentes níveis (mestrado doutorado e pós-doutorado), além de 105 mil beneficiários de programas ligados à educação básica e mais 245 pessoas associadas à Universidade Aberta do Brasil deixarão de receber suas bolsas e financiamentos, a partir de agosto de 2019 .

A produção de conhecimento no país, nas mais diferentes áreas, será brutalmente afetada, já que a imensa maioria dos trabalhos acadêmicos no Brasil, que resultam em inovações e avanços científicos e tecnológicos, são desenvolvidos nas universidades, sustentados exatamente pelas bolsas.

Temer parece mesmo decidido a encerrar seu mandato tendo sido o responsável por destruir os sistemas de Educação, Ciência e Tecnologia do país. A interrupção dos financiamentos, afinal, pode ainda empurrar os pesquisadores brasileiros a buscar abrigo em instituições internacionais, deixando o Brasil cada vez mais carente de cabeças pensantes qualificadas, fundamentais para garantir a soberania nacional.

Indignada, a comunidade científica já se mobiliza para evitar esse desmanche trágico. O Sindicato dos Professores de São Paulo engrossa solidariamente esse movimento cidadão. Não podemos aceitar que o governo sem votos transforme o Brasil numa ‘nova’ colônia, versão século XXI.

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