10/08/2018 13h24

Bolsonaro propõe ensino a distância para combater marxismo e reduzir custos


J.S.Faro, em História, Cultura, Comunicação

O Brasil vai matando suas chances uma a uma em nome de uma grosseria reacionária que não esconde sua aversão a todas as formas de emancipação do sujeito e do país. O problema não é a EAD ou qualquer outra forma de aquisição do conhecimento. O problema é a cultura, a mesma cultura que atiçava em Göering a vontade de puxar o revólver.

O arsenal de besteiras que os candidatos ultraconservadores estão desfiando em seus pronunciamentos parece inesgotável. Como a campanha pela televisão e pelo rádio ainda não começou, o que se viu até agora é suficiente para concluir que o que menos falta é projeto, mas o que mais sobra é estupidez - talvez uma revelação do extrato de que é feita a ideologia que sustenta esses caras e as facções que, sob o nome de partidos, se reúnem em torno deles. Aliás, foi a revista Carta Capital que advertiu numa matéria recente: o tom pouco contundente com que essas asneiras têm sido recebidas pela nossa intelligentsia e pela velha mídia é perigoso porque pode ocultar a extensão e a gravidade que elas (as asneiras) têm entre as elites brasileiras.

O exemplo de Bolsonaro me parece ser o mais evidente: relacionar o ensino a distância com um "combate" ao marxismo não indica má fé ou a pretensão de ideologizar Educação em sentido contrário, mas desconhecimento de que os cursos em EAD funcionam com base em textos que provém de inúmeras correntes de pensamento, entre elas o marxismo. O que o nosso comandante talvez tenha pretendido dizer, do alto do seu desconhecimento, é que o ensino a distância simplesmente elimina o estudo de qualquer tipo de reflexão - do Código Civil à Bíblia, passando pelo O Capital, de Karl Marx. A aversão, aqui, portanto, não é a esta ou àquela doutrina, mas ao estudo. Aliás foi ele mesmo quem disse: nossos jovens não precisam de pensamento crítico, ou seja, não precisam de qualquer tipo de pensamento, o que transformaria a Educação numa atividade inútil. Não é propriamente o marxismo que Bolsonaro que combater, mas a inteligência...

No terreno do pensamento ultraconservador sobram exemplos desse tipo, ainda que esteja havendo uma fartura deles no grupo dos soldados. Pois não foi o vice de Bolsonaro, general Hamilton Mourão, quem disse que o Brasil herdou a malandragem do negro e indolência do índio? Esse general, que deveria zelar mais pela reputação das Forças Armadas, é o mesmo que está sendo acusado por um colega de farda de favorecer empresa em contrato com o Exército.

Não vale a pena ficar estendendo esta postagem pelos exemplos de cada candidato: a estultícia de Alckmin em abordar o óbvio como quem pontifica teorias (o disse e o desdisse no caso da cobrança da mensalidades em universidades públicas) ou mesmo a gravidade do déficit intelectual de sua companheira de chapa, Ana Amélia, ex-funcionária fantasma do Senado, que confunde Aljazeera com Al Qaeda.

Ironia à parte, o fato é que a indigência da direita ofende o país porque põe por terra o acúmulo de interpretações de natureza social-democrata que nosso pensamento desenvolvimentista produziu ao longo do tempo; no final das contas, uma indigência que interdita o debate. É possível imaginar o desencontro e o diálogo de surdos em que se transformaria uma discussão entre Haddad e Ana Amélia ou entre Manuela e Mourão. Fico nos exemplos mais conhecidos, mas é possível supor que esse deserto em que nossos reacionários vivem só não é maior que sua disposição de colocar num ponto final no desconserto que sentem quando se veem diante da angustiante falta de argumentos para seus planos. Não será isso o que estão pretendendo?

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