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Tem algo de errado na Escola Suíço-Brasileira

Atualizada em 06/02/2012 16:26

Em 16 de dezembro de 2011, após cumprir todas as suas atividades pedagógicas no último dia letivo e quando a Escola estava praticamente vazia, o dirigente do SINPRO-SP, Prof. Armenio Xavier, há 20 anos na Escola Suíço-Brasileira, foi demitido juntamente com outros dois colegas todos queridos pela comunidade e com muitos anos de dedicação. Essa atitude teve como objetivo evitar qualquer manifestação da comunidade. Além disso, a instituição que preconiza o discurso sobre valores, desrespeitou um acordo com os Professores que estava construído há décadas, ou seja, de comunicar sobre demissões de seu corpo docente até 31/10.

A demissão é a forma mais arbitrária com que a instituição se posiciona sobre democracia. Trata-se de um ambiente educacional, que educa e forma cidadãos. Que exemplo de cidadania é esse? Durante o ano de 2011, a direção da ESBSP iniciou, através de cursos ao corpo docente e discente, uma discussão sobre resolução de conflitos através da mediação. É evidente que não foi assim que agiu com relação às demissões dos professores. Também menciona a mesma direção a comunidade escolar, que preconiza ‘valores suíços’. Será que na Suíça os professores são demitidos nessas condições? Não existem critérios claros que avaliem o trabalho docente na ESBSP já que, nos três casos, os professores apenas souberam da demissão no último dia de aula. É evidente que a ausência de critérios para avaliar o trabalho do professor dá margem a ocorrência de demissões injustas e políticas.

A demissão representa, com efeito, um arbitrário, e até inusitado, ato de rompimento com o debate e com a própria negociação entre a instituição e os professores, com a degola de seu legítimo representante. Este ato não atinge apenas esse líder, mas transcende a toda categoria que representa. Ao assim agir, transmite o educandário um sonoro e evidente desrespeito à democracia, ao eliminar a própria representação, evidenciando, assim se supõe, o próprio diálogo. Não se constrói diálogo sem conversa. Não se conversa sem representantes. Não se prática democracia com intimidação. Não se tem liberdade quando se calam os interlocutores.

Em relação ao dirigente, após participar, em outubro de 2011, de um movimento vitorioso contra a possível demissão de colegas professores juntamente com a comunidade escolar, foi vítima da falta de compreensão da direção em conduzir seus conflitos internos. Aguardou a direção escolar o esvaziamento físico da comunidade escolar e o demitiu ferindo, em nosso entendimento, todos os princípios que norteiam a organização sindical.

Como entidade sindical que representa os professores, o Sindicato entende que a luta pela garantia da democracia, respeito, condições e organização nas relações de trabalho é também uma luta contínua e incessante de todo o dirigente sindical e não pode ser diferente nos seus locais de trabalho, todavia requer coragem, disposição, persistência, disciplina e coerência política e ideológica com seus princípios, e fazer valer a confiança quando eleito por seus colegas de classe e de jornada de trabalho. A atitude da direção da ESBSP caracteriza com clareza crime contra organização do trabalho, seja porque simplifica as situações de conflitos com o uso da ‘força’ como também de inibir novos movimentos em seu interior.

O SINPRO-SP manifesta-se frontalmente contra a atitude da Escola Suíço-Brasileira de São Paulo e cumpre o papel de informar a comunidade escolar dos fatos propondo o repúdio a essas práticas indignas. Nós estamos tomando todas as medidas judiciais e políticas para reparar as injustiças praticadas.

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