SinproSP

Patrōes usam crise política para retardar negociaçōes

Atualizada em 20/04/2016 01:45

Não há rodada de negociação em que os sindicatos patronais deixem de colocar na mesa a crise política no país. Ela serve mais como desculpa para criar dificuldades na campanha salarial e pressionar pela aprovação de propostas difíceis de engolir.

A estratégia não tem dado certo. As contrapropostas patronais apresentadas até o momento continuam rejeitadas pelos sindicatos.

Em primeiro lugar, porque a desculpa da crise não cola. As mensalidades subiram e o índice aplicado embutiu a projeção de aumento dos salários. Já se sabia que a inflação chegaria a 10% e que este seria o mínimo a ser pago nos salários.

Em segundo lugar, porque sempre houve disposição do Sinpro-SP e dos demais sindicatos na negociação, mas pra tudo há limite.

Contrapropostas

Até o momento (18/04), todas as contrapropostas patronais preveem a aplicação do reajuste parcelado em 2 vezes, mas não dizem como e quando será paga a diferença referente aos meses em que os professores receberam menos do que a inflação. Esse é um dos principais entraves na mesa de negociação. Confira as propostas mais recentes:

Ensino superior: a proposta já foi divulgada pelo Sinpro-SP em 15/03: 7% em março mais 3,57% a partir de outubro. Abono de 12% em fevereiro/2017. A proposta foi rejeitada.

Uma nova rodada está prevista para o dia 28/04 e o Sinpro-SP trabalha com a expectativa de surgimento de uma nova contraproposta patronal.

Educação básica: a última proposta oficial do Sieeesp previa, para o ano de 2016, 7% a partir de março mais 4,5% a partir de agosto, sem participação nos lucros (PLR) para este ano.

Em algumas escolas correu um boato de que o acordo já estaria selado, mas não é verdade. O Sinpro-SP e demais entidades recusaram a proposta e insistem no pagamento da PLR em 2016.

Sesi e Senai: a contraproposta patronal continua a mesma: 5,5% em março e 5,58% em julho (o total -11,08 corresponde ao INPC-Ibge de março/2015 a fevereiro/2016. O reajuste proposto para o vale-alimentação e o vale-refeição em 8%, muito abaixo da inflação.

O Sinpro-SP e demais sindicatos não aceitam que os professores recebem menos do que a inflação. Depois da última rodada de negociação, 14/03, a Fepesp formalizou uma proposta de mediação externa para resolver o impasse.