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O alto custo de uma ruptura institucional

Atualizada em 01/09/2016 21:49

Seja qual for o lado em que cada professor esteve nos últimos meses, um fato todos terão que admitir: houve uma ruptura institucional no Brasil.

Essa ruptura se manifesta pela nova orientação do grupo que agora chega ao poder. Houve a substituição de um projeto, que venceu as eleições, por outro, derrotado nas urnas em 2014.

Projetos que não são legitimados pelo voto se descolam da maior parte da sociedade. Eles nascem atrelados aos grupos que apoiaram e financiaram a ruptura institucional. É isso que se verá no Brasil a partir de agora.

As forças que deram sustentação ao processo de impeachment já mandaram a fatura para o novo inquilino do Planalto. E a conta não é pequena.

Um bom exemplo: no dia seguinte à votação que condenou Dilma à perda do mandato, os grandes jornais paulistas estamparam matéria de página inteira, paga pela Fiesp. É um texto de cobrança. “Não é hora de comemorações”, bradava já no segundo parágrafo. “A Fiesp não só acompanhou , como apoiou o processo de impeachment (...) Agora é hora de virar a página e reconstruir o Brasil”.

Na lista de prioridades, são três as exigências imediatas: limite dos gastos públicos, reforma da previdência e desmonte da legislação trabalhista.

As exigências não estão apenas no conteúdo das reformas, mas também no tempo. É preciso aprová-las o mais rapidamente possível e os recados a Temer estão sendo suficientemente claros.

A reforma previdenciária deve ser enviada ao Congresso ainda em setembro. Em seguida, vem o desmonte na legislação trabalhista, chamada oportunamente de “modernização das relações de trabalho”.

A correlação de forças no Brasil mudou e o desafio que os trabalhadores terão pela frente é enorme. Mas a batalha não está perdida.

Numa Democracia, a pressão popular e o voto funcionam como freio e contrapeso e podem condicionar a ação dos legisladores.

Por isso, a luta contra a redução dos direitos deve ser a pauta unitária de todos os professores e demais trabalhadores.