Eventos

As reflexões de Marcia Tiburi

Atualizada em 19/10/2016 16:48

Convidada para vir ao Sinpro-SP para discutir como se colocar em tempos difíceis, a professora e filósofa Marcia Tiburi começou sua palestra na tarde de quinta-feira, 13/10, perguntando se todos na plateia eram professores. Diante da resposta afirmativa, esboçou um sorriso e explicou como é bom estar entre iguais e sentir-se livre para dialogar com eles.

Para Marcia o professor é o responsável por expandir os limites do mundo do aluno e que, por isso, a sala de aula é o lugar mais precioso que há. Ela explica que em tempos de cólera, como atualmente, quem leciona precisa se manter resistente diante de desmontes como a PEC 241 (que congela as gastos do governo por 20 anos) e a mordaça que o movimento Escola Sem Partido deseja impor.

Tiburi acredita que a educação produz o diálogo e por tal razão, sempre sofrerá ataques dos que querem ‘reduzir pessoas a corpos’. Segundo ela, todos aqueles que não têm utilidade dentro do jogo capitalista, as minorias, são uma ‘corporeidade indesejada’, logo devem ser marginalizados e excluídos. Quando a educação abre uma porta para o aluno entrar em contato com esses abusos, e dá oportunidade de refletir acerca disso, ela se torna uma máquina que age contra o sistema e precisa ser freada.

Aliás, Marcia destaca a o papel da mídia nessa engrenagem. A TV se torna uma prótese de conhecimento, alienando o espectador que acredita no que foi passado no telejornal das 20h, diz. A professora aponta que é nesse momento, onde não há mais o diálogo, é que nascem os fascistas. Intransigentes de discursos prontos, que não quer debater com o outro, mas sim despejar ininterruptamente uma fala carregada de preconceitos, ao que Tiburi dá o nome de ‘língua da oposição’.

Mesmo diante de cenário longe dos mais animadores, Marcia, acredita a mudança é possível, acontecerá com a educação. Para ela, educar, explicar, transformar o mundo do aluno dando oportunidades para ele sair da zona de conforto e questionar a velha visão de mundo é a chave para mudar.