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Fator previdenciário muda e aumenta achatamento das novas aposentadorias

Atualizada em 02/12/2016 00:38

As aposentadorias requeridas a partir de 1o de dezembro estão mais achatadas. Como ocorre todo começo de dezembro, o IBGE atualizou a tábua de mortalidade e de sobrevida usada no cálculo do fator previdenciário.

Este ano, a redução média ficou em 1,2%, um percentual superior à mordida de 0,7% registrada no ano passado. Parece pouco, mas não é. Afinal, desde 1999 os benefícios vêm sendo continuamente achatados sob o pretexto do aumento da expectativa de vida.

Para se ter uma ideia do efeito acumulado ao longo de 16 anos de existência do fator, uma mulher que começou a contribuir aos 18 anos de idade, se quiser aposentar-se aos 30 anos de contribuição, receberá apenas 54% de seu salário de benefício (média dos salários de contribuição a partir de julho/1994). Antes do fator previdenciário, receberia 100%!

Uma matemática que contribuiu para transformar a Previdência numa gigantesca máquina arrecadadora, superavitária, mas que não dá o justo retorno aos trabalhadores. Infelizmente, não é o único exemplo. Basta lembrar que o segurado que se aposenta e permanece trabalhando, continua a contribuir mas não tem direito nem ao auxílio-doença se adoecer

Confira aqui o quadro do fator previdenciário válido para novas aposentadorias

Reforma previdenciária

Esse quadro vai piorar dramaticamente se a reforma previdenciária vier a ser aprovada. A fixação de uma idade mínima elevada – 65 anos - na iniciativa privada vai inviabilizar o acesso à aposentadoria. O trabalhador vai contribuir, mas dificilmente atingirá os requisitos para se aposentar.

Ruim para o trabalhador, mas bom para quem arrecada. Não é a toa que a Previdência, pelo menos no segmento dos trabalhadores urbanos – tem sido avidamente cobiçado pelo sistema financeiro.

Compreender os interesses que movem as propostas de reforma previdenciária é condição necessária para fazer o enfrentamento.