Geral

Não há como sair da crise sem eleições gerais e diretas

Atualizada em 25/05/2017 15:20

Prof. Luiz Antonio Barbagli *

Nossa categoria, depois da demonstração de maturidade política que deu na greve de 28 de abril e em todas as manifestações de protesto que a antecederam, depara-se agora, como todo o restante da sociedade brasileira, com um quadro de descontrole político provocado pelo colapso do governo, finalmente emparedado pelas denúncias do envolvimento do próprio presidente da República num escândalo de corrupção sem precedentes na nossa história.

No dia 24 de maio, o SinproSP participou da marcha em Brasília e testemunhou a vitalidade de um movimento que conseguiu reunir mais de 100 mil pessoas e que tende a aumentar a cada dia.

No entendimento da diretoria do SinproSP, o que alimenta esse crescimento é a repulsa contra a autoridade ilegítima do governo tão radical que é o próprio Estado que acaba sendo posto em xeque. Como até agora não há vestígios de qualquer articulação que consiga criar um ponto de entendimento que possa estancar a crise, a perspectiva é a que o fosso que se abriu com a sociedade aumente.

Nossas classes dominantes, as verdadeiras responsáveis pela crise, imaginam que podem sustentar esse quadro indefinidamente através de artifícios e subterfúgios parlamentares que permitam que as reformas da Previdência e trabalhista sejam aprovadas de alguma forma. É um simulacro que pode até legalizar as mudanças, mas que não lhes dá nem legitimidade, nem qualquer base social de apoio.

Esse estado de alienação dos empresários e de parte da mídia é que pode estar dando a Temer a ilusão de que, ao resistir, vai acabar encontrando alguma salvação que o leve até 2018. Como fica evidente que seu isolamento só cresce, o resultado é o que se viu ontem: o apelo às Forças Armadas (com o assentimento dos grupos mais conservadores manifestado de forma aviltante nos editoriais de hoje) como instrumento de tutela de um governo ilegítimo, uma antessala da ditadura. É evidente que a sociedade brasileira não quer esse caminho, como provam as pesquisas de opinião que registram um índice de 96% de rejeição a Temer e de outros 85% de rejeição às reformas. Insistir nisso, supondo que a pressão pelo afastamento do presidente não tenha efeito, inviabiliza o país e nos conduz a um estado de antagonismo insuperável.

É por esse motivo que a diretoria do SinproSP manifesta-se mais uma vez pela convocação de eleições gerais e diretas através de emenda constitucional que permita o término do atual mandato presidencial com o compromisso dos postulantes ao cargo da retirada da pauta do congresso das reformas da Previdência e Trabalhista, da revisão da Lei da Terceirização e da emenda constitucional que congela os gastos públicos.

* Presidente do SinproSP

Foto: Ueslei Marcelino (Reuters, via Folha)
Em Brasília, polícia agiu com truculência e foi responsável pelo caos que se criou entre os manifestantes