Coronavírus

Ainda não é tempo de escola aberta

Atualizada em 11/08/2020 19:26

Em entrevista à rádio CBN, dia 10 de agosto, o prefeito Bruno Covas garantiu que as escolas privadas e públicas na cidade de São Paulo abrirão todas no mesmo tempo e não confirmou a retomada das aulas, nem mesmo em outubro. A definição, segundo Covas, está condicionada ao resultado de nova etapa do inquérito sorológico, que está testando crianças de 4 a 14 anos. “A questão é de saúde, não de ensino”, afirmou.

O silêncio de entidades e associações patronais, como o Sieeesp e a Abepar, à entrevista de Covas contrasta com a reação ao anúncio do governador Dória de retomada das atividades escolares presenciais, ainda que parcialmente, a partir de 8 de setembro. Mais um motivo para acreditar que a estranha decisão do governo estadual de adiar as aulas presenciais para outubro e, ao mesmo tempo, autorizar a abertura das escolas em setembro, foi provocada pela pressão da rede privada de ensino.

O SinproSP é contrário à retomada de atividades presenciais em setembro e aguarda a manifestação da Prefeitura de São Paulo para adotar providências que assegurem a preservação da saúde de professoras e professores, trabalhadoras e trabalhadores não docentes, estudantes e familiares.

Como o Sindicato sempre defendeu, o retorno às aulas – que inclui qualquer atividade presencial na escola – só pode ser determinado com a epidemia suficientemente controlada. Em outros países, a reabertura de escolas foi bem sucedida nos locais que tiveram expressiva queda nas taxas de contágio e este não é o caso de São Paulo.

Se é perigoso abrir a escola para aulas regulares, é perigoso também permitir o funcionamento para aulas de reforço, recuperação, laboratório, bibliotecas e “atividades de acolhimento”.

A escola não é uma bolha. Sua abertura, ainda que limitada, tem impacto sobre o espaço urbano em limites que vão bem além do seu entorno. A retomada das atividades presenciais mobiliza pessoas de bairros diferentes, amplia a circulação, favorece aglomerações nos pontos de ônibus, nas calçadas, nos bares na cidade.

Além disso, é um verdadeiro abuso querer que as professoras e os professores acumulem ainda mais tarefas, trabalhando presencialmente, em atividades de reforço, recuperação e “acolhimento” e a distância, com aulas regulares.

Por tudo isso, o SinproSP está estudando todas as possibilidades, inclusive jurídicas, para garantir que o retorno às atividades presenciais só ocorra no tempo certo, definido por parâmetros médico-sanitários. Esse foi o critério que determinou a suspensão das aulas em março de 2020 e é ele que deve definir, também, a data de retorno.