Coronavírus

Volta das atividades presenciais é bomba relógio de risco elevado

Atualizada em 18/09/2020 21:48

Anunciados em entrevista coletiva no dia 18 de setembro, os resultados alarmantes do inquérito sorológico realizado entre alunos das escolas particulares (foi a primeira vez que esse grupo foi avaliado) só fazem reafirmar a posição que o SinproSP defende com convicção: aulas presenciais só em 2021.

O inquérito conduzido pela Prefeitura de São Paulo investigou seis mil estudantes da educação básica, das três redes de ensino, proporcionalmente distribuídos. As conclusões juntam-se a tantos outros estudos e evidências científicas e confirmam a bomba-relógio que a volta das atividades presenciais representa, com riscos para toda a comunidade escolar e para as famílias.

Entre os alunos de escolas particulares, apenas 9,7% tiveram contato com o vírus, o que revela o enorme contingente de estudantes ainda vulneráveis à contaminação. Além disso, 70,3% deles são assintomáticos e, portanto, transmissores silenciosos (mais do que nas escolas estaduais – 64,1% - e municipais – 66,4%). Por fim, 31,1% moram com pessoas acima de 60 anos (contra 24,9% na rede estadual e 26,6% na municipal).

Diante dos resultados, e sem conseguir esconder certo desconforto com o anúncio, o prefeito da capital confirmou que as aulas presenciais regulares em São Paulo continuam proibidas e devem seguir obrigatoriamente a distância ao menos até 03 de novembro (é a nova data indicativa, ainda a ser confirmada).

A Prefeitura, porém, abriu espaço para o lobby do ensino privado, fortemente impulsionado por uma orquestra “jornalística” que cantou afinada nos últimos dias, e optou liberar, a partir de 07 de outubro, na educação básica e limitadas a 20% dos estudantes, as chamadas atividades extracurriculares.

Um decreto a ser publicado provavelmente a parrtir do dia 21, e que será imediatamente analisado e esmiuçado pelo Sindicato, deve definir com mais precisão o que se entende por “extracurricular”. A prefeitura também liberou a volta das aulas regulares nas instituições de ensino superior. Mais uma prova de que o interesse mercantil falou mais alto do que a vida humana.

Apesar disso, professoras e professores não podem se deixar levar por falas manipuladoras e oportunistas. O fato objetivo é que as aulas presenciais no ensino básico não podem ser retomadas na cidade de São Paulo, ao menos até 03 de novembro. Qualquer subterfúgio ou artimanha usado pelas escolas para simular “atividades extracurriculares”, exigindo que professoras e professores deem aulas presenciais, deve ser imediatamente denunciado ao SinproSP. O Sindicato adotará as mais diferentes ações – políticas, jurídicas, midiáticas, pressão sobre os poderes públicos – para escancarar as irregularidades.

Nas últimas semanas, o SinproSP já vinha denunciando e pedindo o fechamento, junto às Subprefeituras, das escolas que abriram irregularmente. Não podemos permitir tentativas de burla que coloquem em risco a saúde de professoras e professores, estudantes e demais trabalhadores, além das famílias.

Por fim, a indicação de 03 de novembro (ainda a ser confirmada, importante reforçar) traz à tona outra questão fundamental: por que forçar um retorno que carrega consigo tantos perigos, numa escola que será um universo de medos, estresses e proibições e permanecerá aberta por tão pouco tempo? As projeções do SinproSP indicam que haverá 34 dias de aulas presenciais (cenário mais alongado), com cada aluno indo, no máximo, de cinco a oito vezes para o colégio, até o final do ano. É sensato correr todo esse risco? É responsável?

O SinproSP, junto a outras entidades que representam trabalhadores em Educação das redes públicas e privada, continuará defendendo a volta das aulas presenciais somente em 2021. Preservar a vida é, hoje e sempre, o mais importante.