Coronavírus

Estudo mostra como como a contaminação pode ocorrer na sala de aula

Atualizada em 03/11/2020 18:32

Um estudo produzido por uma equipe da Universidade do Novo México e publicado na revista científica Physics of Fluids, no final de outubro, mostrou, por meio de simulações, como se dá a dispersão, na sala de aula, de aerossóis, as partículas em suspensão, e como isso pode afetar a disseminação do coronavirus, mesmo quando respeitado o distanciamento social. A revista é publicada pelo American Institute of Physics.

O modelo considerou uma sala de aula de 81 m2 e pé direito de 3 metros, com alunos dispostos em três fileiras ,distanciamento entre eles de 2,4 metros e tendo um professor à frente. A “sala de aula” hipotética também possuía janelas (que permaneciam fechadas) e ar condicionado para filtragem e renovação do ar.

Mesmo com todas essas condições, o estudo indicou a possibilidade e o percurso da contaminação, por meio dos aerossóis em dois sentidos: sua dispersão no ar e também a deposição sobre objetos. Segundo o estudo, parte das partículas menores (menos de 15 μm) saem pelo ar condicionado, mas as maiores (acima de 20 μm ) acabam se depositando nas superfícies e objetos. Nesse caso, o aluno poderia ser contaminado ao tocar um objeto ou superfície e depois levar a mão aos olhos, por exemplo.

Mas a contaminação também poderia ocorrer entre as pessoas, pela simples circulação das partículas em suspensão no ambiente. A transmissão também é maior e  mais acelerada se o aluno contaminado estiver no centro da sala e não no canto, como mostra a imagem abaixo.

O estudo indica que abrir janelas contribui para reduzir o risco de contaminação, já que parte das partículas sai pela janela. É claro que, com menos partículas em suspensão no ambiente, a deposição sobre objetios também será menor. Outras medidas, como barreiras físicas entre os alunos e uso de máscara também são eficientes.

Em relação ao espaço, muitas escolas em São Paulo têm um problema adicional: elas encontram-se em edificações mais restritas, muitas delas adaptadas de antigas residências. Assim, o que foi um quarto transformou-se numa sala de aula que pode ser até acolhedora, mas está longe de oferecer condições físicas adequadas. Por exemplo, muitas classes são dotadas de vitrôs no lugar de janelas, o que dificulta naturalmente a circulação de ar.

Se o modelo usado no estudo indicava a possibilidade de contaminação, o que não dizer desses espaços que oferecem condições smbientais mais restritas?

Simulador de Covid-19 na sala de aula

Em agosto, pesquisadores de diferentes universidades brasileiras e estrangeiras organizados no grupo Ação Covid-19 e Rede Escola Pública e Universidade criaram um simulador que calcula, por modelos matemáticos, a possibilidade de alunos e professores serem infectados. O modelo usa como variáveis o numero de alunos na escola, o espaço físico, a obediência aos protocolos sanitários , entre outros. O simulador pode ser acessado aqui