Direitos

Número de Convenções cai em 2020 e reajustes ficam menores, aponta Dieese

Atualizada em 04/12/2020 00:44

As negociações salariais ficaram mais difíceis em 2020. Levantamento do Dieese revelou que o número de acordos e convenções caiu 9% em relação a 2019. Considerando apenas as normas coletivas que tiveram reajuste salarial, a queda é bem maior: 36%. O boletim “De Olho nas Negociações” comparou o período de janeiro a outubro nos dois anos.

A maior dificuldade nas negociações acaba se refletindo em reajustes mais baixos ou até na ausência deles. Entre janeiro e outubro de 2020, o Dieese observou 676 reajustes iguais a 0%, contra 39 em todo o ano de 2019.

Nos primeiros dez meses de 2020, 28% dos reajustes salariais foram menores do que a inflação. Na data base de outubro, o percentual é bem mais expressivo:  48,3% dos reajustes ficaram abaixo de 3,89% (INPC acumulado nos doze meses anteriores). Já, entre as categorias com data base em setembro, 26% dos reajustes foram menores do que a inflação.

Além da pandemia e da estagnação econômica, a alta da inflação verificada no segundo semestre também compromete as negociações e, consequentemente, os reajustes. Por exemplo, para as categorias com data base em julho, seria suficiente um reajuste de 2,35 para repor a inflação nos doze meses anteriores. Já, para quem tem data base em outubro, seriam necessários 3,89% para recuperar o poder aquisitivo dos salários. A situação se complica ainda mais na data base em novembro, já que o INPC acumulado nos dozes meses ficou em 4,77%!

O levantamento do Dieese tomou por base acordos e convenções coletivas de todo o país depositados no Sistema Mediador, uma plataforma da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho (antigo Ministério do Trabalho). Não foram considerados os reajustes decorrentes de decisão judicial (dissídio).

Professores

Em 2020, o reajuste das professoras e professores da educação básica em São Paulo ficou em 5,04% (3,54% como reposição da inflação e 1,5% de aumento real). O reajuste foi consequencia do acordo firmado após o dissídio coletivo de 2019. No ensino superior, as negociações salariais, iniciadas em fevereiro, ainda não foram concluídas.