Coronavírus

Doria desrespeita decisão judicial, despreza educador e afaga poder econômico

Atualizada em 11/03/2021 18:52

Nota à imprensa da Federação dos Professores do Estado de São Paulo em 11 de março, 2021

Federação dos Professores do Estado de São Paulo está empenhada na luta pela preservação da vida, no respeito à Justiça e vai exigir o cumprimento da decisão judicial

O governador do Estado São Paulo deverá ser responsabilizado - se não criminal, ao menos moralmente – pelos casos de contaminação, com necessidade de hospitalização e pelos óbitos que vierem a vitimar os profissionais de educação das escolas particulares de ensino básico, pela exposição desnecessária e inconsequente ao coronavírus. Essa é a única conclusão que se pode chegar, após a inacreditável entrevista coletiva desta quinta-feira, dia 11.

O governador e seus secretários pretendiam anunciar a ampliação das medidas restritivas para enfrentar a maior ameaça à saúde pública da história.  Pretendiam “fazer história” ao se mostrarem “rigorosos” na adoção de medidas sanitárias preconizadas pela ciência. Mas, o que se viu, na verdade, foi a manifestação covarde de omissão a parte das recomendações dos cientistas do porte, por exemplo, de um Miguel Nicolellis, por mera e indisfarçável submissão a interesses econômicos e, ainda mais grave, um verdadeiro incitamento à desobediência civil, ante o explicito desrespeito a uma decisão judicial.

Como quer o senhor governador que as determinações restritivas sejam acatadas pela população se dá o péssimo exemplo, ao apoiar o descumprimento de decisão da justiça?

O governador do Estado e seu secretário da Educação colocaram a administração estadual no banco dos réus, ao ordenar o desrespeito à decisão da 9ª Vara da Justiça Fazendária do Estado, cuja titular, Dra. Solange Casoretti, na segunda-feira, dia 08/03, determinou a interrupção imediata das atividades presenciais com professores nas escolas do Estado. Em todas as Escolas, inclusive as privadas.

O próprio secretário da educação (ex ministro), admitiu na entrevista coletiva, ter se dobrado aos argumentos do poder econômico, ao revelar haver ‘consultado o Sieeesp – sindicato das escolas particulares de parte do Estado – e a Abepar – entidade para sindical que congrega escolas consideradas “da elite econômica” (perto de 0,1% das escolas particulares do Estado) sobre o alcance das medidas restritivas (paliativas) que vieram a ser adotadas, concedendo às escolas privadas “liberdade para agir”, ou para disseminar o vírus, ou para colapsar o sistema de saúde. Estranha, mas (agora) compreensível a atitude do sr. secretário em recusar-se, desde o início da pandemia, a receber esta Federação, como representante dos educadores e das educadoras.

O próprio governador reconhece que a pandemia se tornou ainda mais severa e exige medidas fortes. Mas mostrou-se fraco ao não reconhecer a urgência necessária às medidas – contingências entrarão em efeito somente na segunda-feira, dia 15, morram quantos tiverem que morrer ainda nesta quinta, na sexta, sábado e domingo.

O governo do Estado se omite irresponsavelmente ao fazer vista grossa à atividade presencial nas escolas ao desconsiderar todas as oportunidades de contato, aglomeração, contaminação, contágio de uma comunidade superior a cem mil pessoas no Estado que são as professoras, professores, diretores, atendentes, escreventes, e todos os que trabalham nas escolas da rede privada do Estado, além da sua interação com escolares, pais de alunos, usuários de transporte coletivo.

Não há preocupação verdadeira com a saúde dos paulistas. Há cálculo eleitoral nessas medidas.

Não iremos esmorecer. Nós estamos verdadeiramente empenhados na preservação da vida e, em vida, iremos respeitar e defender um dos elementos básicos de nossa organização em sociedade que é o respeito à Justiça.