Coronavírus

Após veto, escolas particulares de SP terão ensino remoto até o fim do mês

Atualizada em 15/03/2021 15:13

Júlia Marques, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2021 | 19h54

Escolas particulares de São Paulo devem oferecer aulas no modelo remoto até o fim de abril, prazo em que estão proibidas as atividades presenciais nos colégios. Há a opção de fazer recesso escolar - modelo escolhido pelas redes estadual e municipal -, mas colégios ouvidos pelo Estadão devem continuar com as atividades escolares, a distância, neste período de restrição.

Nesta sexta-feira, 12, o prefeito Bruno Covas (PSDB) anunciou que escolas municipais e particulares devem ter aulas presenciais suspensas até 1º de abril. O retorno à escola poderá ocorrer a partir de 5 de abril, após o feriado de Páscoa. A suspensão das atividades escolares é mais uma medida para conter a disseminação do coronavírus na cidade. Educadores têm alertado para o risco de prejuízos de aprendizagem e socioemocionais por causa do longo período de fechamento das escolas. 

Parte das escolas particulares já havia decidido suspender as atividades presenciais antes mesmo da decisão da Prefeitura. É o caso do Equipe, na região central de São Paulo, que optou por manter as aulas remotas diante do aumento de internações pela covid-19 na cidade. O Rio Branco também suspendeu atividades presenciais após orientação do Hospital Sírio-Libanês, que prestou consultoria à escola para orientar a reabertura no ano passado.

Segundo Arthur Fonseca Filho, presidente da Associação Brasileira das Escolas Particulares (Abepar), os colégios devem manter as aulas remotas, sem fazer recesso nas próximas semanas. Para Fonseca Filho, a decisão da Prefeitura não causou muito impacto porque as escolas já estavam restringindo atividades presenciais, diante do agravamento da pandemia, e houve redução da procura dos pais pelas atividades nas escolas.

"Talvez não haja alternativa neste momento", reconhece Fonseca Filho. "As escolas da Abepar entendem que não há clima nem mesmo para atender aqueles que mais precisam." A Abepar reúne colégios de elite, como Santa Cruz e Bandeirantes. Para Fonseca Filho, porém, é importante que as escolas sejam reabertas assim que as condições sanitárias permitirem.

Nesta sexta-feira, o Bandeirantes, na zona sul, anunciou a suspensão das atividades e a manutenção das aulas no modelo remoto a partir de segunda-feira, 15. "As aulas serão mantidas no ensino remoto de acordo com o cronograma pedagógico", informou. O mesmo modelo será adotado pelo Rio Branco, que destaca que os esforços "devem ser direcionados ao coletivo, reduzindo ao máximo possível a circulação de pessoas nessa situação de tamanha incerteza".

No Colégio Magno, na zona sul, as atividades presenciais devem ser suspensas a partir de terça-feira, 16. Na segunda, a escola ficará aberta para que os pais tenham mais esse dia para se reorganizar e a previsão é manter atividades remotas até 5 de abril.

O Colégio Franciscano Pio XII também abrirá na segunda-feira para que os alunos mais novos retirem os materiais a serem utilizados em casa. A partir de terça-feira, têm início as atividades 100% online. No Humboldt, na zona sul, também não haverá recesso, mas aulas remotas.

Na rede municipal de ensino, a Prefeitura optou por antecipar o recesso escolar que seria no mês de julho. Os alunos não terão atividades obrigatórias e deverão permanecer em casa partir do dia 17 de março. "Quem já puder não enviar os filhos para a escola na segunda e na terça, melhor para evitar a circulação", disse o secretário de Educação, Fernando Padula. A merenda será oferecida por meio do cartão-merenda. Na rede estadual, o recesso também foi antecipado.

A decisão de suspender aulas desagradou o sindicato dos colégios particulares. "O que podemos fazer é nos indignar e falar para ele (Covas) arrumar um lugar para deixar essas crianças, pegar os filhos dos profissionais de saúde e levar para a casa dele porque eram essas crianças que queríamos atender", disse o presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino de São Paulo (Sieeesp), Benjamin Ribeiro.

Ribeiro teme que, com a suspensão das atividades presenciais nas escolas, as famílias acabem buscando soluções arriscadas como as chamadas "mães crecheiras", mulheres que tomam conta de crianças, mas não têm formação para essa atividade. Ele também diz que escolas de educação infantil podem ter queda de matrículas com a decisão. "Na educação infantil, se a escola paralisa as aulas, perde alunos."

Já Luiz Antonio Barbagli, presidente do Sindicato dos Professores de São Paulo (Sinpro-SP), entende que a Prefeitura "agiu de forma correta" ao fazer a suspensão das atividades presenciais nas escolas particulares diante de um cenário grave de contaminações pela covid-19. "O que o governo do Estado não fez ontem (quinta), ele (Covas) fez hoje (sexta).

Barbagli se refere ao fato de que o governo João Doria (PSDB) determinou recesso na rede estadual, mas manteve o aval para que as escolas particulares em todo o Estado continuassem funcionando. Na capital, o Sinpro-SP aprovou uma greve contra a realização de aulas presenciais neste momento por risco de contaminação dos professores.

"O professor não vai deixar de trabalhar, só vai trabalhar no meio remoto." Os professores também pedem máscaras profissionais, do tipo PFF2, que filtram mais partículas, para o retorno presencial à escola.