Coronavírus

Capitã Cloroquina defende escolas abertas para ter efeito rebanho nas crianças

Atualizada em 26/05/2021 19:21

“Mantendo as pessoas em casa [...] nós atrapalhamos a evolução natural da doença naquelas pessoas que seriam assintomáticas, como as crianças, e a gente teria um efeito rebanho.” Foi esse o argumento da secretaria do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, ao defender as atividades presenciais nas escolas. O vídeo foi mostrado pelo senador Renan Calheiros (MDB/AL), na sessão da CPI da Pandemia de 24/05.

Confrontada pela a senadora Eliziane Gama (Cidadania/MA), que lhe perguntou sobre os professores, a equipe da escola, os pais e avós que teriam contato com essas crianças, ela respondeu: “Os casos mais graves [dos adultos contaminados] a gente isola”. E reza para não morrer, é claro.

Mayra não é uma médica qualquer. Ela é secretaria de trabalho e educação do Ministério da Saúde, cargo que ocupa desde a posse de Bolsonaro. Resistiu à troca de quatro ministros, porque não escolhida por nenhum deles para o cargo.

Quando abre a boca, Mayra não fala apenas sobre suas convicções pessoais. Ela expressa e a política irresponsável que tem sido imposta à sociedade desde o início da pandemia. 

Mayra disse estar na CPI na condição de “técnica”. Bobagem. Ela é a representação escancarada do fundamentalismo bolsonarista, tosco e obscuro, responsável, entre outras tragédias, pela perda de mais de 450 mil vidas. Isso sem contar outros delírios como a ameaça comunista, o pênis na porta da Fiocruz, os médicos cubanos e muito mais.

No caso específico das escolas, o discurso de Mayra também é exatamente o mesmo do movimento Escolas Abertas : professores, funcionários, pais, avós não existem ou não importam. Podem adoecer, podem morrer. Sua invisibilidade fará com que eles não entrem na conta de uma abertura das escolas a qualquer custo. É isso o que essas pessoas querem e defendem.